SEMINÁRIO DE SEGURANÇA INOVADORA LANÇA MANIFESTO EM FAVOR DOS POVOS DO AMAZONAS

  • 31/05
  • SEGURANÇA PÚBLICA
  • Fórum de Segurança
  • A terceira edição do Seminário de Segurança Inovadora, realizada no Auditório Belarmino Lins da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deixa de legado um apelo a políticas públicas que levem trabalho, renda e qualidade de vida ao povo do Amazonas. Apesar de uma plateia marcadamente masculina e, em parte, militar, as palestras focaram na defesa social como a alternativa de politica a médio e longo prazo para combate à violência ne Região, inclusive aos crimes ambientais. O evento foi idealizado pelo deputado estadual Comandante Dan (Podemos), presidente da Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social do Legislativo._

  • “Estou imensamente feliz como balanço final de nosso evento, por uma série de razões. A principal delas é que alcançamos 36 dos 62 municípios do Amazonas, em suas comissões parlamentares de segurança pública, em suas secretarias e em suas guardas municipais, que se fizeram presentes ao Seminário. Desde 2023, temos focado na municipalização da segurança, através do Sistema Único de Segurança Pública (Lei nº 13.675/2019). Um terço da assistência do evento veio do interior, houve até momentos em que não havia mais cadeira disponível nem para as autoridades. Quem trabalha com interior, sabe a dificuldade de obter um resultado assim e a grandeza dessa conquista”, comentou o deputado, que cumpre seu primeiro mandato legislativo.

  • Dan Câmara, que adota o nome político de Comandante Dan, é policial militar da reserva e já comandou a PM de 2008 a 2011. O parlamentar também ocupou vários cargos de secretário executivo adjunto na área da segurança pública. Ele comparou o Sistema Único de Saúde (SUS) ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

  • “No SUS, a assistência primária, da prevenção ao primeiro atendimento, cabe ao município e a prevenção é do agente comunitário de saúde, profissional essencial que atua diretamente na comunidade, promovendo saúde e prevenindo doenças. O Samu entra em ação apenas em emergências. Em termos de segurança pública, precisamos qualificar os municípios com a prevenção, mas mantendo uma estrutura de pronta resposta. Municipalizar tem esse foco, legalizando estruturas e qualificando institucionalmente a cidade a receber recursos diretamente do Ministério da Justiça e Segurança Pública e de programas correlatos à matéria”, afirmou Dan.

  • *Defesa Social como ferramenta de transformação*

  • Quase todas as palestras do evento, 17 durante dois dias, fizeram alusão à necessidade de uma política de defesa social à população do Amazonas, como medida de combate ao crime organizado. Já na palestra de abertura do evento, o delegado federal Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, abordou o tema. Ele falou do crime organizado como o principal agente de devastação ambiental. Ele decalroju que onde há ausência de poder público, o espaço é ocupado pelas facções. E afirmou que são necessários projetos de desenvolvimento que gerem trabalho e renda às populações do interior, para que as máfias transnacionais parem de cooptar os cidadãos, em troca de serviços que o poder público deveria prestar.

  • A tônica foi praticamente mantida por todos os palestrantes, até o final do segundo dia. Além da defesa social, também abordaram fortemente a necessidade de planos e gestão integrada e de qualificação dos contingentes que atuam nas forças de segurança. Vejam algumas frases marcantes do Seminário:

  • “Precisamos de projetos que viabilizem trabalho, renda e qualidade de vida aos cidadãos do interior, sem isso não conseguiremos parar a cooptação que o crime faz com a população” – Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal.

  • “A gente fica tentando conhecer os inimigos e deixa de conhecer nossos próprios problemas, nossas deficiências. Não é só falta de efetivo, mas é falta de efetivo com qualidade, com treinamento e supervisão. Nós estamos cuidando disso?” - coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

  • “Vocês já fizeram alguma simulação para um grande incêndio no aeroporto aqui de Manaus? Ou no Teatro Amazonas, por exemplo? Já pensaram em todas as possibilidades de um desastre como o que aconteceu na Catedral de Notre-Dame?” - coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

  • “Hoje, o Ronda no Bairro não seria suficiente. Há muito por ser feito. Os desafios são maiores e são outros. Precisamos dobrar o contingente policial do Amazonas. Num Estado com 1,5 milhão de quilômetros quadrados, onde cabe o nordeste brasileiro inteiro e, ainda sobra 300 mil quilômetros quadrados, temos que gerar emprego para 10 mil guardas municipais, que deem suporte à segurança pública e à ação da polícia” – Senador Omar Aziz.

  • “Precisamos muito mais de prevenção do que repressão.” – Senador Omar Aziz.

  • “A polícia, os bombeiros, os guardas estão, ou deveriam estar, a serviço da coletividade. E é nesse contexto, neste país profundamente injusto, que vocês são chamados a exercer suas funções com dignidade, coragem e compromisso com a transformação social.” – professor Ricardo Brisolla Balestreri, ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

  • “Não adianta tiro, porrada é bomba em favela. Nenhum bandido importante do Brasil mora em favela." - Ricardo Brisolla Balestreri.

  • “Guardas civis não são polícias municipais.” – delegado federal Sérgio Fontes.

  • “Guardas municipais são necessárias e elas são úteis, tanto desarmadas, quanto armadas. O uso da arma depende do trabalho a ser desempenhado. Por isso, é fundamental uma norma legal que regulamente o que é o trabalho de uma guarda municipal, que não pode e não deve concorrer com a polícia militar, nem com a civil, mas ser uma força parceira.” – delegado federal Sérgio Fontes.

  • *Carta de Manaus 2025*

  • A organização do III Seminário de Segurança Inovadora deverá lançar na próxima semana um documento intitulado “Carta de Manaus 2025”, com os principais pontos abordados pelos especialistas durante o evento. Segundo o deputado Comandante Dan, alguns pontos são tão consensuais que já são unanimidade entre os profissionais da segurança e, por isso mesmo, menos mencionados. “Esse é o caso do controle da faixa de fronteira, há um entendimento coletivo de que sem ele os projetos estão fadados a resultados não satisfatórios”, finalizou.

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